" O SOLDADO DA RAINHA" - (Manoel Corrente da Silva)
Biná Autran
Estimada Veterana da Santa Doutrina, homenageia o querido Padrinho Corrente, com seu belo texto, avivando a memória da vida deste grande companheiro do Padrinho Sebastião.
A primeira vez que vi o Padrinho Corrente foi em 1983 na igreja da Colônia Cinco Mil. Mirando e meio perdida, veio ao meu encontro indicando-me o caminho.
No ano seguinte, a pedido do Padrinho Sebastião, chegou ao Rio de Janeiro acompanhado do Padrinho Mário Rogério para orientar os primeiros grupos daimistas que se formavam no Rio e em Visconde de Mauá.
Padrinho Corrente, como fiel discípulo, acreditava na verdade do Padrinho Sebastião, procurando seguí-la e transmití-la. E também possuía o dom para lidar com a alma humana, principalmente a feminina, e muito contribuiu na expansão da Doutrina além da floresta.
Juntos estavam sempre gracejando como dois meninos.
Era um excelente contador de histórias, alguma vezes repetidas, mas sempre originais devido à maneira de interpretá-las.
Ao nascer, muito pequeno e com lábio leporino, sua mãe depois de grandes esforços para alimentá-lo, achando que não ia vingar, deixou-o num canto.
Quando viu Maria, logo gostou dela, e como não tinha a aprovação do pai, um homem de temperamento enérgico, resolveu tirá-la da casa paterna mesmo sem consentimento.
Maria Corrente era parteira, além de trabalhar lado a lado com ele recebendo e ajudando os necessitados.
Depois da passagem do Padrinho Sebastião sua responsabilidade aumentou. Sabia atender a todos como conselheiro, curandeiro, fiscal, recepcionista.
Da janela avistou seu papagaio bicando o pé de maracujá.
Padrinho Corrente realmente surpreendia com sua força de vontade, sua disciplina no dia a dia, a disponibilidade para trabalhar e a maneira de lidar
com os seres vivos.
Num certo dia, cheguei à sua casa e logo o percebi com o semblante transformado.
. Que eu levasse esta mensagem à Madrinha Rita e Madrinha Júlia.
Cada vez era mais estimado pelo povo que atendia.
Quando foi cantado na igreja Céu do Mapiá pela sua primeira vez com ele presente no salão, não deixava dúvida, ali estava mesmo o "Soldado da Rainha".
Bem fraquinho, com a saúde abalada, os afilhados chamando para fazer exames e ele recusando os convites
: "Primeiro vou consultar o Daime para receber força e orientação".
Éramos sete mulheres ao redor de sua cama. Mesmo deitado comandava o trabalho. Sua fé e firmeza nas medicinas sagradas, um estímulo e aprendizado para nós, participantes.
"Aqui vai mudar muito. Vem muito estrangeiro, muita gente sabida. Quem está aqui e não segurar, não fica.
Muita coisa vai acontecer como no mundão lá de fora e não vão se espantar."
Depois de três anos e meio de sua passagem foi inaugurada a Santa Casa de Misericórdia Padrinho Manoel Corrente da Silva, que segue o perfil do ilustre patrono.
Esta pequena homenagem ao Padrinho Corrente, lembrando a data de seu aniversário, é em nome das Mulheres e de todos que o conheceram não só em matéria como espiritualmente, pelo seu amor e dedicação à Santa
Doutrina.
Céu do Mapiá, 29.09.07
Biná Autran
Estimada Veterana da Santa Doutrina, homenageia o querido Padrinho Corrente, com seu belo texto, avivando a memória da vida deste grande companheiro do Padrinho Sebastião.
A primeira vez que vi o Padrinho Corrente foi em 1983 na igreja da Colônia Cinco Mil. Mirando e meio perdida, veio ao meu encontro indicando-me o caminho.
No ano seguinte, a pedido do Padrinho Sebastião, chegou ao Rio de Janeiro acompanhado do Padrinho Mário Rogério para orientar os primeiros grupos daimistas que se formavam no Rio e em Visconde de Mauá.
Um tempo de grande proveito e também de muita alegria, o convívio com os ilustres visitantes para nós que iniciávamos na Santa Doutrina.
Padrinho Corrente, como fiel discípulo, acreditava na verdade do Padrinho Sebastião, procurando seguí-la e transmití-la. E também possuía o dom para lidar com a alma humana, principalmente a feminina, e muito contribuiu na expansão da Doutrina além da floresta.
Juntos estavam sempre gracejando como dois meninos.
Era um excelente contador de histórias, alguma vezes repetidas, mas sempre originais devido à maneira de interpretá-las.
Ao nascer, muito pequeno e com lábio leporino, sua mãe depois de grandes esforços para alimentá-lo, achando que não ia vingar, deixou-o num canto.
A irmã menina começou a cuidar dele como se fosse um boneco.
Com um algodão molhado no leite pingava em suas narinas.
E assim ele foi ganhando vida nas mãos daquela mãe-menina que, provavelmente com seu puro amor, influenciou na sua personalidade amorosa e determinada para enfrentar as batalhas.
Quando viu Maria, logo gostou dela, e como não tinha a aprovação do pai, um homem de temperamento enérgico, resolveu tirá-la da casa paterna mesmo sem consentimento.
O sogro por muito tempo se declarava inimigo, até que as circunstâncias o levaram para a casa da filha, conhecendo o genro que o ajudou até o final de sua vida, se tornando grandes amigos.
Maria Corrente era parteira, além de trabalhar lado a lado com ele recebendo e ajudando os necessitados.
Ele dizia: " É, cuidar de doentes é coisa séria. A Maria nunca deixou um doente para trás. Botava em sua casa e cuidava mesmo. Da roupa, da comida, de tudinho. É assim que é para fazer!"
Depois da passagem do Padrinho Sebastião sua responsabilidade aumentou. Sabia atender a todos como conselheiro, curandeiro, fiscal, recepcionista.
Sua casa sempre cheia era um ponto de encontro onde muito se aprendia. Com seu espírito brincalhão dava risadas com coisas que somente ele percebia, ou das besteiras que ouvia. E muito zangado ficava com a desobediência e rebeldia.
Da janela avistou seu papagaio bicando o pé de maracujá.
Insistentemente pedia, como se fosse a uma criança, que ele parasse de fazer aquele malfeito.
Com uma vassoura tentou espantá-lo e cada vez o louro subia mais alto. Então foi para o terreiro, pegou uma vara bem comprida em baixo de casa e só entrou quando conseguiu tirar o louro do pé de maracujá.
Passou ainda três dias sem brincar com o pássaro que ficou triste como um menino que recebe castigo.
Padrinho Corrente realmente surpreendia com sua força de vontade, sua disciplina no dia a dia, a disponibilidade para trabalhar e a maneira de lidar
com os seres vivos.
Num certo dia, cheguei à sua casa e logo o percebi com o semblante transformado.
Com a voz firme e o olhar penetrante declarou: " A Virgem Mãe Soberana me apareceu dentro de uma grande luz e me falou que o seu poder está nas mãos das mulheres que conseguissem estar em união.
E me entregou um pedido do Padrinho Sebastião para reabrir o Trabalho de Mulheres" (que havia sido suspenso por ele antes de fazer a passagem)
. Que eu levasse esta mensagem à Madrinha Rita e Madrinha Júlia.
Tudo combinado entre eles, foi reaberto o Trabalho de Mulheres no túmulo do Padrinho Sebastião.
Cada vez era mais estimado pelo povo que atendia.
O número de afilhados sempre aumentando, recebia cartas e convites de vários pontos do Brasil e do exterior onde o Daime começava a entrar. Sociável e comunicativo não deixava de responder.
Sentava mesa da cozinha com o texto preparado como se estivesse lendo, ditava objetivo e preciso, para ser anotado.
Nunca frequentou um banco de escola. Lia com os olhos do coração.
Padrinho Alfredo chegou em sua casa para se despedir, ia para mais uma viagem de expansão da Doutrina.
Depois de muita conversa boa, perguntou-lhe: " Ei, Velho, o que quer que eu traga de presente?"
"Quero um presente sim, mas não vou dizer qual é, na hora você vai saber.:
E de volta com o Padrinho Alfredo chegou o hino "Mais Um", especial presente revelando sua posição de "Soldado da Rainha".
Padrinho Alfredo chegou em sua casa para se despedir, ia para mais uma viagem de expansão da Doutrina.
Depois de muita conversa boa, perguntou-lhe: " Ei, Velho, o que quer que eu traga de presente?"
"Quero um presente sim, mas não vou dizer qual é, na hora você vai saber.:
E de volta com o Padrinho Alfredo chegou o hino "Mais Um", especial presente revelando sua posição de "Soldado da Rainha".
Quando foi cantado na igreja Céu do Mapiá pela sua primeira vez com ele presente no salão, não deixava dúvida, ali estava mesmo o "Soldado da Rainha".
Bem fraquinho, com a saúde abalada, os afilhados chamando para fazer exames e ele recusando os convites
: "Primeiro vou consultar o Daime para receber força e orientação".
Foi dado início aos trabalhos de cura.
Éramos sete mulheres ao redor de sua cama. Mesmo deitado comandava o trabalho. Sua fé e firmeza nas medicinas sagradas, um estímulo e aprendizado para nós, participantes.
Dentro desta força completamos nove trabalhos. "Agora eu já posso procurar os médicos de fora."
Se aprontou e foi buscar um conforto para sua matéria.
Chegou de viagem mais forte e bem tratado, mas não era mais o mesmo na sua força material, embora espiritualmente não parasse de trabalhar sempre muito sério em relação ao futuro da comunidade.
Chegou de viagem mais forte e bem tratado, mas não era mais o mesmo na sua força material, embora espiritualmente não parasse de trabalhar sempre muito sério em relação ao futuro da comunidade.
"Aqui vai mudar muito. Vem muito estrangeiro, muita gente sabida. Quem está aqui e não segurar, não fica.
Muita coisa vai acontecer como no mundão lá de fora e não vão se espantar."
Como bom aluno e bom professor, repetia as palavras do Padrinho Sebastião.
Padrinho Corrente sentia a necessidade de uma casa de saúde para acolher os doentes. Muita gente chegando em busca de cura, o atendimento domiciliar mais difícil, ele mesmo já não podia ir de casa em casa atender os necessitados como de costume.
Padrinho Corrente sentia a necessidade de uma casa de saúde para acolher os doentes. Muita gente chegando em busca de cura, o atendimento domiciliar mais difícil, ele mesmo já não podia ir de casa em casa atender os necessitados como de costume.
Depois de três anos e meio de sua passagem foi inaugurada a Santa Casa de Misericórdia Padrinho Manoel Corrente da Silva, que segue o perfil do ilustre patrono.
Esta pequena homenagem ao Padrinho Corrente, lembrando a data de seu aniversário, é em nome das Mulheres e de todos que o conheceram não só em matéria como espiritualmente, pelo seu amor e dedicação à Santa
Doutrina.
Céu do Mapiá, 29.09.07
Biná Autran
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